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terça-feira, 8 de abril de 2014

O Congresso Futurista - Crítica


Já parou para pensar qual é o futuro de um ator e seus mais famosos personagens? A morte e o esquecimento, talvez. Pensou em como pode ser o cinema daqui a vinte anos, ou até mesmo se perceberemos ele da mesma forma que é hoje?

O Congresso Futurista, adaptação ao cinema de The Futurological Congress, romance de ficção científica do polonês Stanislaw Lem, dirigido e roterizado por Ari Folman (Valsa com Bashir), aborda exatamente essas questões e estupra sua mente com uma experiência visual e unicamente sensorial.

O longa conta a história Robin Wright (House of Cards / Forrest Gump - O Contador de Histórias), que curiosamente é interpretada por ela mesma. Somos apresentados a uma mulher fragilizada que teve um promissor início de carreira em sua juventude, mas que foi comprometida devido a seus medos e as péssimas escolhas que fez na vida. Robin com sua idade mais avançada e sem trabalhos, vive com seus dois filhos em um galpão nos arredores de um aeroporto.

  
O agente de Robin, Al (Harvey Keitel) abre o filme dando um esporro na atriz por ter jogado fora toda sua carreira de sucesso e tenta convencê-la a agarrar uma última oportunidade oferecida por um grande Estúdio Hollywoodiano. É então que toda a magia e conflito começa. Em um futuro próximo os estúdios de Hollywood comprarão a imagem dos atores, através de um processo de escaneamento corporal e facial com o intuito de captar os mínimos detalhes de cada expressão para serem repruduzidos em formas digitais. transformando esses atores em produtos digitais a serem utilizados em diversas mídias da forma que o estúdio proprietário bem entender. O ator que assina o contrato perde o direito de atuar em qualquer lugar, passando os direitos do seu "dom" para o estúdio comprador.

O grande conflito de Robin se encontra no atuar, em sua figura humana. E nos faz imaginar o que é ser um ator de verdade, um massivo conjunto de dados programados por um grupo de especialistas cinematográficos ou o ser humano com seu emaranhado de emoções e improvisos, o talento genuíno. E no fim, o que importa tudo isso para o expectador? Quem assiste a um filme realmente se preocupa se é um humano ou uma animação que está atuando na tela? Esse conflito está presente no primeiro ato e é um dos pontos altos do longa, um dos que me prenderam até o ultimo instante da película.



O segundo ato começa abruptamente, alterando por completo o visual do filme. Toda a estética fria do universo é alterada para um mundo de animação psicodélica e de cores saturadas. Definitivamente parece que tomamos uma pílula de LSD. Este momento do filme explora o resultados das escolhas da protagonista vinte anos no futuro, onde somos apresentados a uma nova maneira de perceber o cinema. Ver e Sentir já não é o bastante, então a indústria cria uma droga onde o espectador será o filme, o ator, a experiência. Uma forma ambiciosa, fantástica de prever um futuro doentio que bate a nossa porta.

A epopéia animada de Robin se torna mais dramática quando ela percebe-se presa a esse mundo de ilusões até o choque impactante de voltar a realidade, algo tão espantoso e teatral quanto sair da matrix e perceber que o mundo é apenas esgotos e céu queimado. O choque visual é tão intenso que o próprio expectador sente a estranheza de voltar para o mundo real, esse momento prova o quanto esse filme é mais que apenas visual, ele brinca com a percepção da platéia e gera sentimentos durante toda a exibição. O efeito de estranheza estende-se até muitos minutos depois de ter saído da sala do cinema. Um longa dramático feito para cinéfilos e amantes de ficção. É um filme completamente diferente de tudo, que aos poucos desconstrói uma atriz "real" e transforma em um personagem ficcional falho e humano. Os pipócas vão achar o filme completamente maluco e vão torcer o nariz para ele, devido a lerdeza e diferença de dinâmica do desenrolar dos atos, podendo até mesmo causar sonolência e bocejos involuntários, por isso recomendo apenas aos que apreciam dramas e filmes cult.




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